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ECOLOGIA


Botos da Amazônia e o turismo ecológico


A partir de dois trabalhos de campo, realizados em 2008 e 2009, em que foram coletados dados científicos sobre a interação dos botos com os pescadores, os turistas e humanos em geral, o pesquisador começou a se dar conta da necessidade de se iniciar uma atividade educacional no município, que hoje concentra a atividade turística na aparição dos botos em um restaurante flutuante. Por conta do intenso fluxo de turistas interessados em se aproximar dos animais, observou-se a importância de avaliar o efeito que as atividades com os botos causam, especialmente nas crianças de escolas locais, que têm contato constante com a espécie.

O pesquisador afirma, a partir de análises preliminares, que entre as principais preocupações, está a forma de alimentação artificial que ocorre no restaurante “Boto Cor de Rosa”. Segundo ele, o fato de as pessoas jogarem peixes para atrai-los com alimento fácil, altera significativamente o comportamento dos botos, aumentando a agressividade dos animais. “Durante essas atividades, os animais aumentam consideravelmente o número de mordidas (entre eles) quando estão interagindo com pessoas que não estão oferecendo alimento. Isso quer dizer que a ‘ansiedade’ dos animais que aguardam o recebimento de alimento por parte dos turistas aumenta de acordo com o tempo de duração dessas interações sem alimento, aumentando os riscos para os animais (que se mordem mais) e, conseqüentemente, para os turistas que interagem com os animais”, explica o biólogo.

Resultados de pesquisas, explica Luiz Cláudio, já apontam um grau de dependência por parte de alguns botos em relação a essa alimentação oferecida pelos humanos. “Isso explica, pelo menos em parte, esse aumento da agressividade na espera pelo alimento, o que poderia causar sérias consequência aos animais”, disse.


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